domingo, 24 de abril de 2011

“Eu não quero voltar sozinho”


Curta vencedor de prêmio pelo júri oficial e também pelo voto popular disponível no YouTube. Diretor pretende lançar longa.
por Alex Cabral
 Um menino é cego. O outro acaba   de ser matriculado na escola e não conhece ninguém. Entre eles, um forte carinho vai se estabelecendo, o que fez com que "Eu não quero voltar sozinho", de Daniel Ribeiro, fosse escolhido como o melhor curta-metragem tanto pelo júri oficial quanto pelo voto popular na terceira edição do Festival de Paulínia de 2010.

A temática gay no cinema é velha conhecida de Daniel, desde que ele foi premiado com o Urso de Cristal no Festival de Berlim, em 2008, por "Café com leite". Em "Eu não quero voltar sozinho", o diretor deixa clara toda sua delicadeza ao lidar com o assunto: as cenas entre os dois meninos são discretas, com um desejo sendo construído aos poucos e sem exageros.

O melhor de tudo é que Daniel pretende transformar "Eu não quero..." em longa-metragem. O roteiro já está pronto, só falta alguém para financiar o projeto.


quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011


Educação
Abaixo o bullying homofóbico
Psicólogos aprovam material contra homofobia nas escolas.
por Redação MundoMais

















Enquanto há homofóbicos que reprovam o material sobre LGBTsdo Ministério da Educação sem ao menos tê-lo visto, o Conselho Federal de Psicologia analisou-o e deu parecer favorável à sua utilização nas escolas.
Mesmo sem data para chegar aos colégios de ensino médio do país, o kit – formado por vídeos, guia de orientação para o professor e cartilhas – foi criticado em apresentação prévia naComissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Agora, o Conselho Federal de Psicologia entrou na discussão em defesa do material.
Dentre as razões apresentadas para a defesa está a importância do kit para enfrentar o bullying homofóbico e a possibilidade de pais, alunos e professores aprenderem a respeitar LGBTs com a ajuda dos vídeos e textos que integram a ação ministerial.
Uma comissão de psicólogos e especialistas avaliou o material para analisar a qualidade técnica, didática e pedagógica dos vídeos e textos e a adequação do conteúdo à faixa etária do público que o receberá. A previsão é de que 6 mil colégios tenham acesso ao material este ano. Para o CFP, os filmes e livretos que abordam conflitos de adolescentes em relação à sexualidade têm linguagem correta para os alunos que serão alvos do projeto e trata de forma cuidadosa os temas.
“Representa material de vanguarda, pois são instrumentos de capacitação e formação continuada para o próprio professor. O kit reforça a atenção e cuidado com os temas transversais da educação nas relações de ensino-aprendizagem, como no caso do respeito à diversidade sexual”, diz o relatório. A entidade diz que faz parte do compromisso profissional de qualquer psicólogo contribuir para reflexões sobre preconceito e o fim de discriminações sexuais.
O texto de cinco páginas começa justificando a importância da discussão do tema nas escolas, que têm a responsabilidade de formar cidadãos éticos e que respeitem as diferenças, segundo os psicólogos. “A discussão principal sobre o tema refere-se à necessidade de tratar preconceitos e discriminações que refletem uma violência (verbal, simbólica) reverberando nos espaços de convivência escolar”, afirma o texto.
De acordo com os psicólogos, faltam instrumentos de qualidade para que professores e orientadores trabalhem o tema em sala de aula. A iniciativa, para eles, é positiva. A entidade sugere ainda que outros setores, como redes sociais, desenvolvam projetos semelhantes para combater o preconceito.
O material foi elaborado em parceria com a Pathfinder do Brasil; a Reprolatina - Soluções Inovadoras em Saúde Sexual e Reprodutiva; e a ECOS - Centro de Estudos e Comunicação em Sexualidade e Reprodução Humana (São Paulo-SP), e conta com o apoio daAssociação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT); da GALE – Global Alliance for LGBT Education, e da Frente Parlamentar pela Cidadania LGBT do Congresso Nacional.


E se me achar esquisito, respeite também, até eu fui obrigado a me respeitar. Clarice Lispector.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Ela é real!

Hoje conheci duas mulheres muito parecidas, uma no seu início da vida, outra já no final. Suas histórias se escrevem de forma semelhante, e essa semelhança é o sofrimento. Uma me fez rir, refletir, seu contato comigo não foi pessoal. A outra me tocou a alma! Seus olhos me mostraram algo que nunca consegui ver, suas mãos tocaram meu coração. Deixei que brincasse comigo, deixei que conhecesse os meus detalhes. Queria fazer o mesmo com ela, mas algo não me permitiu, seu sofrimento me impediu. Seu corpo precisava me falar. Como é difícil perceber que não pude ajudá-la. Gostaria de arrancar a sua dor, pois ela não consegue superá-la.
A mais velha, Estamira, superou, para alguns ficou louca, para outros ela consegue enxergar muito além do que nós. Pensa, reflete de maneira ímpar. Louca? Mas quem é normal? Após tudo o que viveu, como iria viver ou sobreviver de forma diferente. Será que após tudo o que ela passou, nós também não estaríamos como ela? Segundo Arnaldo Jabor “a insanidade de Estamira é uma linguagem de defesa diante de um mundo muito mais louco que ela. A sua loucura é a narração de uma sabedoria torta, de uma anomalia que a salva de uma realidade, esta sim, terrivelmente insana”.
O caminho da mais nova chegará ao final como o de Estamira? Medo! A cada momento que apertava minha mão ou a cada vez que pedia: “você vai me ajudar?”, me fez sentir responsável pelo o que ela vai percorrer. Imaturidade da minha parte? Pode ser! Nunca lidei tão perto com o sofrimento humano. Sempre me utilizei da frase do autor Augusto Cury: "Gastarei minha vida explorando o mais deslumbrante e complexo dos mundos, a mente humana. Serei um garimpeiro, procurando ouro nos escombros das pessoas que sofrem". Mas agora assim tão perto, meu deu medo. Confesso, sua dor, suas não palavras mexeram de forma única comigo. Precisei e ainda preciso, sentar sozinha e tentar assimilar tudo o que vi e senti. Não quero perdê-la, quero ajudá-la. Tenho anseio que os segredos velados a impeça de largar o peso carregado. Estamira em seus ‘surtos’ lança o que lhe fez mal, através de chigamentos, ‘delírios’. Ela não explicita através da fala, seus olhares, seus toques, seu corpo, fazem isso, eles falam! Uma pessoa do sexo oposto entra no ambiente e ela se apaga, uma simples palavra faz ela emudecer. Mistérios que me fazem não parar de lembrar de seus toques, dos seus detalhes. Gostaria que assim no meio da noite eu conseguisse simplesmente ‘descobrir’ o que fez ou faz dela ficar dessa maneira. Procuramos desculpas em tudo, tentamos achar uma vítima e um culpado. Mas será que eles realmente existem? Não sei, mas a dor está ali, ela é real!
Acredito que com um único contato pude entender um pouco do que é Ser realmente psicóloga!

domingo, 26 de dezembro de 2010

Abri Os Olhos

Composição: Sandy Leah/Lucas Lima

Sei mais do que eu quis
Mais do que sou
E sei do que sei
Só não sei viver
Sem querer ser
Mais do que sou

O fato é o ato da procura
E a cura não resiste só
O que era certo eu descobri
Nem sempre era o melhor

Abri os olhos
Não consigo mais fechar
Assisto em silêncio
Até o que eu não quero enxergar


Não sei afastar
A dor de saber
Que o saber não há
Só não sei dizer
Se esse meu ver
Se pode explicar

Enquanto eu penso, tanto entendo
Que é mais fácil não pensar
O que era certo, eu aprendi
A sempre questionar

Abri os olhos
Não consigo mais fechar
Assisto em silêncio
Até o que eu não quero enxergar

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

'Procuro esconderijo...'

Nesse dia que acordo um tanto quanto melancólica, prefiro curtir o meu 'eu depressivo' do que tentar sair dele...

Esconderijo

Ana Cañas

Composição: Ana cañas
 
Procuro a solidão
Como o ar procura o chão
Como a chuva só desmancha
Pensamento sem razão
Procuro esconderijo
Encontro um novo abrigo
Como a arte do seu jeito
E tudo faz sentido
Calma pra contar nos dedos
Beijo pra ficar aqui
Teto para desabar
Você para construir

Dundarundê aunde iê

domingo, 7 de novembro de 2010

As aparências enganam

Zé Ramalho

Composição: Zé Ramalho
 
 
Sabedoria do povo
Em forma de procissão
E o entoar da novena
Em pratos de comunhão
Uma promessa que falta,
Um companheiro divino
Um tempo tão pequenino
Para viver e ficar

Um tudo tão magoado
Um povo tão violado
Erupção de crianças

Uma prece pela busca
Uma treva que ofusca
Uns olhos de cão danado
Os sonhos do condenado
As barras de se viver

Uns olhos são para ver
As contundências do mundo
Em tudo que se mexeu
Em tudo que se moveu
As aparências enganam

As aparências enganam
As mesmas que desenganam
Os olhos do moribundo
O caçador vagabundo
Que viu e não soube ver

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Devaneios da madrugada.

 Hoje, 2 horas da manhã, escrevi um pequeno texto. Um pouco de ficção, um pouco de realidade, algo de mim e algo dos outros. O que escrevo não é pra ser entendido, é pra ser refletido, pensado!


Constantes e  difíceis mudanças.

 Às vezes sinto uma vontade súbita de fugir, me esconder.
Sinto-me nua aos olhos dos outros, sinto que conseguem ver minha alma, isso me dá medo, me aflige.
Mas às vezes já me percebo invisível: Será que alguém me percebe aqui? Não faço falta? Não faço diferença?
Então a vontade de fugir retorna, de forma abrupta.
Como alguém, aparentemente tão forte, tem tantos medos, tantas angústias? Queria que me entendessem, mas não quero que saibam o que eu penso. O olhar do outro não é neutro, é cruel, despe-me de forma violenta, julga-me, machuca. Como seria simples um olhar de compreensão. Não precisa concordar com o que penso, apenas compreenda a minha forma de pensar. Dói fazer isso?
Sinto-me distante dos outros; posso até concordar que eu mesma me distancio. Como me aproximar? Falando sobre minha vida? Por quê? Para quê? Percebo que me sinto cada vez mais vazia, parece que com alguém desconhecido consigo falar da minha vida, não sei quem é ele mesmo... o seu julgamento não me faz diferença. Agora reflito: por que o julgamento do outro me faz tanta diferença? Será que denuncia algo que não está resolvido em mim? Não consigo compreender o poder que ele tem sobre mim, como posso ser tão frágil e vulnerável?! Fugir?! Mas para onde? Quem sabe pro meu quarto, meu canto, meu refúgio. Porém nem ali me sinto em paz. Será que numa cabana, vazia, velha, sentir-me-ia melhor? Mas o que quero encontrar?
Ah! Já sei! Estou buscando a mim mesma. O meu mais profundo, o meu íntimo. Realmente, só encontrarei SOZINHA! O distanciamento é necessário. Estar sozinha pode doer, pode me fazer sofrer, mas dessa forma posso me encontrar, achar o “verdadeiro” e mutável: Eu!